Autor do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, o ex-noivo, Caio César Nascimento tem extensa ficha criminal e várias passagens por violência doméstica contra familiares e ex-companheiras, em Campo Grande.

Em coletiva sobre o assassinato cometido nesta quarta-feira (12), a delegada da Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher), Elaine Benicasa o classificou como pessoa perturbada.

“Pessoa totalmente perturbada com passagem por roubo, tentativas de suicídio e ocorrências de violências domésticas contra a mãe, contra a irmã e outras conviventes, vários crimes”, cita a delegada.

Caio tinha registros por ameaças, lesões, e várias outras situações envolvendo violência doméstica.

Vanessa Ricarte procurou a Deam na madrugada desta quarta-feira e relatou que estava sofrendo ameaças do autor com quem estava se relacionando há 4 meses. “Há alguma situação de possível cárcere que nós vamos apurar, o setor específico vai ouvir outras testemunhas”, explica Benicasa.

A jornalista voltou ainda no período da tarde na delegacia para a conferência de toda a situação da medida.

“Ela foi atendida pela delegada plantonista e a delegada informou que a medida havia sido concedida pelo Poder Judiciário e foi entregue a vítima. Ofertou abrigo na casa da Mulher Brasileira, mas ela se negou e ficar e na companhia do amigo foi até a casa onde encontrou o autor no local”, detalha.

Ainda conforme depoimento colhido da testemunha, o autor já estava alterado quando Vanessa chegou em casa.

“Ele bastante nervoso, ela solicita que ele saia, aparentemente ele concorda, mas em um descuido do amigo que foi fazer uma ligação para outra amiga, neste momento o autor pega faca e da três facadas no tórax de Vanessa, o amigo consegue puxar Vanessa e trancar a porta do cômodo”, diz o amigo em depoimento.

Ajuda da vizinhança

O morador que tentou ajudar a salvar a jornalista Vanessa Ricarte, 42 anos, esfaqueada pelo ex-noivo, Caio César Nascimento, detalha o momento de tensão e os pedidos de socorro da vítima. O crime ocorreu na residência do casal, nesta quarta-feira (12), em Campo Grande.

Segundo relato do vizinho, ele tentou ajudar assim que ouviu os gritos de socorro de Vanessa. “Escutava o berreiro, socorro, socorro, barulho de porta batendo, corri lá, dei um murro no portão e por cima consegui ver ele com a faca quebrando o vidro”, detalha.

Para tentar impedir o ataque, o morador gritou com o autor para que ele parasse. “Ele veio para cima de mim, mas o portão estava fechado. Nesse intervalo, os outros vizinhos chamaram a polícia que chegou em 4 minutos, mas neste intervalo ele esfaqueou ela”, conta.

Ainda segundo o morador, um amigo que estava na companhia de Vanessa, no imóvel, gritava e pedia aos moradores que arrombassem o portão.

“Eu e mais três policiais conseguimos abrir o portão, uma policial entrou e ele, uma ‘moçona’ se entregou a polícia”.

11 passagens por violência doméstica

Caio do Nascimento Pereira, feminicida no caso da jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, morta a facadas, acumulava 11 registros por violência doméstica. Ele foi preso e levado para a Deam (Delegacia Especializada  de Atendimento à Mulher).

Os boletins de ocorrência de violência doméstica começaram a ser registrados em 2020. Em um dos casos, uma ex-namorada foi parar na Santa Casa depois de ser agredida pelo músico. A ex-namorada agredida teve queimaduras no rosto e braços, o que parecia ser fricção no asfalto.

A filha da vítima na época relatou que a mãe foi agredida pelo seu ex-namorado na casa dele e que teria pego um motorista de aplicativo até sua casa, momento em que o ex-namorado chegou pilotando uma motocicleta logo atrás da vítima. Assim, ela ligou para a polícia e o agressor fugiu do local.

A vítima, na época, contou que o músico era usuário de drogas e muito agressivo, e por conta disso ficou traumatizada e faz tratamento médico devido à gravidade do fato.

Antes de jornalista, outras ex foram agredidas

Uma outra ex-companheira de Caio registrou vários boletins de ocorrência contra ele. Um dos registros foi em 2024, após a separação do casal. Na delegacia, ela disse que conviveu maritalmente com Caio por 1 ano, e que sofria violência psicológica. A mulher havia solicitado medidas protetivas contra o músico.

Em 2023, ele teve outro registro na Deam por violência psicológica contra mulher. Em fevereiro de 2023, a ex-mulher de Caio procurou a Deam depois de ser sistematicamente perseguida  por ele. Na época, ele contou na delegacia que conviveu com o autor por aproximadamente 11 anos, sendo que terminaram o relacionamento há cerca de 2 anos e meio.

Ela ainda contou que o autor não aceitava o término do relacionamento; que mesmo a vítima tendo relacionamento com outra pessoa, o autor ficava querendo saber da sua vida e onde estava morando. O autor a agredia verbalmente, dizendo que ela seria uma ‘criminosa’, ‘péssima mãe’, ‘ser humano deplorável’, ‘doente’ e ‘manipuladora’; e lhe fazendo ameaças, dizendo que a vítima ‘não imagina o que lhe aguardava’.