Dormir pouco deixou de ser apenas um hábito ruim e passou a ser um problema de saúde pública. Em Campo Grande, 22% da população adulta dorme menos de seis horas por noite, índice que acende um sinal de alerta para médicos e especialistas devido aos impactos diretos na saúde física e mental.

Os dados fazem parte da edição 2025 do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde divulgado nesta semana, que pela primeira vez trouxe informações específicas sobre sono e insônia. O sistema monitora, há 20 anos, os principais fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais brasileiras.

Segundo especialistas, dormir menos do que o recomendado pode aumentar significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, enfraquecimento do sistema imunológico, além de prejuízos à saúde óssea, mental e cognitiva.

Sono abaixo do ideal preocupa especialistas

De acordo com a Fundação Nacional do Sono, dos Estados Unidos, adultos entre 18 e 64 anos devem dormir entre 7 e 9 horas por noite. No entanto, a realidade brasileira está distante dessa recomendação.

O Vigitel aponta que 20,2% dos adultos nas capitais do país dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% relatam pelo menos um sintoma de insônia. O problema afeta mais as mulheres: 36,2% apresentam sintomas, contra 26,2% dos homens.

Excesso de peso, diabetes e hipertensão seguem em alta

Além do sono, o Vigitel 2025 traz um panorama preocupante sobre outros indicadores de saúde no Brasil. O levantamento mostra que a prevalência de excesso de peso em adultos saltou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024.

Já a obesidade — definida por IMC igual ou superior a 30 kg/m² — atingiu 25,7% da população adulta em 2024.

O diagnóstico médico de diabetes mais que dobrou em 18 anos, passando de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. A hipertensão arterial também cresceu, saindo de 22,6% para 29,7% no mesmo período.

Outro dado que chama atenção é a queda da atividade física no deslocamento diário. A prática, que era de 17% em 2009, caiu para 11,3% em 2024, indicando mudanças no estilo de vida e maior dependência de meios de transporte.

Hábitos saudáveis avançam, mas ainda são desafio

Apesar dos números negativos, o levantamento também traz indicadores positivos. A prática de atividade física moderada no tempo livre, com pelo menos 150 minutos semanais, aumentou de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024, mostrando maior conscientização da população.

Outro avanço foi a redução no consumo regular de refrigerantes e sucos artificiais, que caiu de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024.

Já o consumo de frutas e hortaliças permaneceu praticamente estável ao longo dos anos. Em 2024, 31,4% dos brasileiros relataram consumir esses alimentos cinco dias por semana ou mais, percentual semelhante ao registrado em 2008.

Sono, alimentação e movimento: um tripé essencial

Especialistas reforçam que sono de qualidade, alimentação equilibrada e atividade física regular são pilares fundamentais para a prevenção de doenças crônicas e a melhora da qualidade de vida. Os dados do Vigitel 2025 mostram que, apesar de avanços pontuais, o desafio de mudar hábitos ainda é grande — especialmente quando o descanso noturno fica em segundo plano.