Constatação da Operação ”Oncojuris”, que apurou fraude na saúde pública de MS, dá conta de que alguns medicamentos eram superfaturados em cerca de 3 mil por cento. A investida policial contra uma quadrilha da Capital aconteceu nesta quinta-feira (23), em Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A investigação começou assim que a Defensoria Pública de MS observou inconsistências em processos judiciais que pediam medicamentos de alto custo para pacientes do Estado. Quem trouxe os dados foi a coordenadora do Núcleo de Saúde da Defensoria Pública de MS, Eni Maria Sezerino Diniz. Ela comentou que o grupo entrava com ações judiciais para conseguir os medicamentos.
”Tinha processo em que o valor real do remédio custava R$ 1.500, mas o Estado pagava R$ 56 mil”, causando um prejuízo aos cofres públicos’’, lamentou Diniz. Em outro trecho, a autoridade constatou, junto a pacientes atendidos pela Defensoria, que muitos dos remédios usados não tinham registro nas autoridades sanitárias brasileiras, vinham de países como Índia, Paquistão e Turquia, com importação suspeita e sem possibilidade de rastreio.
A estimativa é que houve desvio de R$ 78 milhões dos cofres públicos nos últimos 12 meses. No entanto, o montante total desviado pela quadrilha ainda não foi estimado. Fato grave também divulgado pelas autoridades é o de saúde pública; há chances de pacientes terem morrido por ingerirem remédios de origem duvidosa.
Polícia

Detectada a suspeita, a DPMS acionou a Polícia Civil, Ministério Público, Vigilância Sanitária e Receita Federal, esta última em razão de suspeitas no processo de importação desses medicamentos. A delegada titular da Dracco – Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado – Ana Cláudia Medina – também prestou esclarecimentos sobre a investigação, iniciada em setembro de 2025, sobretudo a descoberta dos diversos núcleos da quadrilha, que eram organizados e tinham divisão de tarefas bem estabelecida.
”Tinha o núcleo administrativo, composto por servidores exonerados da Secretaria de Saúde. Eles direcionavam orçamentos e subsidiavam órgãos públicos com informações, dando legalidade para a aquisição desses medicamentos”, detalhou Ana Cláudia.
Ainda segundo Medina, havia também o “núcleo jurídico”, que tinha a missão de apresentar ações judiciais e inserir nos processos as figuras de ”terceiros interessados” na obtenção dos medicamentos. Também apresentavam outros fornecedores para terem benefícios no processo.
Os advogados Altair Penha Malhada e Victor Guilherme Leza foram presos e tiveram imóveis ligados a eles vasculhados pela manhã. Os dois seriam membros do ”núcleo jurídico” do bando.
Havia também, diz a Dracco, o ‘’núcleo empresarial’’, que eram empresas locais que disputavam para conquistar esses medicamentos e receber dinheiro público.
”Porém, sequer tinham licença para participar nessa atuação”, completou Medina.
Por fim, foi revelado o núcleo da ”assessoria de importação”, que tinha protocolos de importação que destoam dos padrões normais.







