A eleição presidencial está empatada no agregado. Mas as pesquisas Quaest desta semana em 26 estados (e o Datafolha no PI) mostram padrões muito claros por baixo desse empate. Vou mostrar os principais.

O mapa do 1º turno tem três Brasis. Lula à frente em 10 estados (todo o Nordeste e o AP). Flávio à frente em 8 (RJ, PR, SC, MS, MT, AC, RO e RR). E 9 empatados na margem de erro, incluindo SP, MG e RS.

O voto de Lula hoje é quase uma cópia de 2022. A correlação entre a intenção de voto em cada estado e o resultado do 1º turno de 2022 é de 0,98. É a calcificação em números.

O mesmo vale do outro lado. O voto em Flávio repete o de Jair em 2022, com correlação de 0,95. Trocou o nome, o eleitorado ficou.

Onde Lula cresce? No Nordeste, onde já era forte: MA +7, BA +6, PB e SE +4. Fora da região, quase nada muda: de -3 (GO e TO) a +3 (DF), com exceção do AP (+6). Lula aprofunda o voto onde já tinha.

Pesquisa Quaest para presidente no 1º turno — Foto: Reprodução/Quaest

Flávio melhora em relação a Jair no Norte e no Centro-Oeste (RO +6, MT +5, PA +4) e até na BA (+5). Mas perde onde a direita tem alternativa: DF -8, GO -6 (estado de Caiado), PR, RS e ES -3.

Pesquisa Quaest para presidente no 1º turno — Foto: Reprodução/Quaest

Por que isso importa? Porque o jogo está nos independentes. Eles são de 24% a 36% do eleitorado nos estados e chegam ao pico no RJ (36%), no AM (35%) e em TO, RS e GO (33%).

Pesquisa Quaest para presidente no 1º turno — Foto: Reprodução/Quaest

Pesquisa Quaest para presidente no 1º turno — Foto: Reprodução/Quaest

Resumo: o empate nacional esconde um país calcificado, um eleitor independente concentrado no Centro-Sul que ainda pode se mover, e estados com pressa de resolver a eleição para governador. A última semana vai ser decisiva.