A Terra está capturando quase o dobro de calor que capturava há 16 anos, segundo estudo conjunto da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional), instituição ligada ao governo do país.

A partir de dados de satélite e de flutuadores oceânicos, os cientistas detectaram esse aumento do desequilíbrio energético do planeta durante o período de 2005 a 2019. Mas, afinal, o que isso significa?

A radiação solar que chega à nossa atmosfera é em parte absorvida pela nossa superfície – o restante é emitido de volta para o espaço como radiação infravermelha. Os gases do efeito estufa, que formam uma barreira ao redor do planeta, retêm parte da radiação infravermelha (em forma de calor) aqui embaixo. É esse processo que mantém a temperatura necessária à vida no planeta.

O equilíbrio energético, então, significa um equilíbrio saudável entre a energia que é absorvida pela Terra e a energia que é lançada de volta ao espaço. Um desequilíbrio de energia positivo – como o que os cientistas relataram – implica em uma maior absorção do que emissão, ou seja, um maior ganho de energia e retenção de calor. O resultado, como você já deve estar imaginando, é um aumento na temperatura terrestre.

Os cientistas da Nasa e da NOAA analisaram observações de satélite do projeto CERES (Clouds and the Earth’s Radiant Energy System), que identificam quanta energia entra e sai da atmosfera da Terra, e dos flutuadores Argo, que monitoram a temperatura das águas dos oceanos.

Norman Loeb, autor principal do estudo, afirma, em comunicado: “As duas formas muito independentes de se olhar para as mudanças no desequilíbrio de energia da Terra [atmosfera e oceanos] estão em concordância, e ambas mostram essa tendência muito grande [de aumento da retenção de calor]”. Segundo o pesquisador, as tendências que o estudo mostrou são alarmantes.

As causas do problema

Os pesquisadores acreditam que parte do desequilíbrio de energia da Terra é resultado de variações naturais, como uma mudança identificada no Oceano Pacífico, de uma fase fria para uma fase quente.

Mas a atividade humana, claro, também é responsável. Afinal, o aumento das emissões de gases do efeito estufa – como dióxido de carbono e gás metano –, provenientes da queima de combustíveis fósseis, por exemplo, retêm calor na atmosfera, o que agrava o aquecimento global.

Já o aquecimento global, por sua vez, leva ao derretimento do gelo marinho nas regiões polares, por exemplo, e ao aumento do vapor de água na atmosfera, que contribuem ainda mais para a retenção de calor e o desequilíbrio energético.

Loeb afirma: “Isso é provavelmente uma mistura de forças humanas e variabilidade interna. E, durante este período [analisado pelo estudo], ambas estão causando aquecimento, o que leva a uma mudança bastante grande no desequilíbrio de energia da Terra. A magnitude do aumento [de temperatura] não tem precedentes”.

O pesquisador ressalta que os resultados do estudo não possibilitam fazer uma previsão para as próximas décadas em relação ao equilíbrio energético. Mas, se a taxa de absorção de calor do planeta não diminuir, as mudanças climáticas continuarão acontecendo – e talvez aumentem – nos próximos anos.

Gregory Johnson, co-autor do estudo, explica que dados do CERES e do Argo permitem aos cientistas identificar o desequilíbrio de energia da Terra com precisão e estudar suas alterações e tendências conforme o tempo passa. “Observar a magnitude e as variações desse desequilíbrio de energia é fundamental para a compreensão das mudanças climáticas da Terra”, afirma o pesquisador.

Fonte: Superinteressante