A decisão coloca a Selic no maior patamar desde o fim do ano passado. Porém, à época, o colegiado estava em ritmo de corte das taxas, encerrando o ciclo de baixa em maio, a 10,5% ao ano.
Foi a terceira vez seguida que o colegiado acelera o ritmo de aperto dos juros.
O atual ciclo de alta foi deflagrado pelo BC em setembro, com alta de 0,25 ponto, elevando a taxa a 10,75%.
Em novembro, o ritmo escalou para avanço de 0,5 ponto, trazendo a taxa básica ao atual patamar de 11,25%.
Piora das expectativas
As expectativas do mercado para a inflação pioraram nas últimas semanas em meio à disparada do câmbio em reflexo às propostas fiscais e isenção do IR para salários de até R$ 5 mil.
O dólar opera acima de R$ 6 desde o início do mês, ao redor do maior patamar desde o lançamento do Plano Real, em 1994.
A pressão do câmbio levou a sucessivas pioras para expectativas da inflação, com previsões apontando estouro do limite máximo neste ano e no próximo.
O BC persegue meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.
Para este ano, o mercado espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre a 4,84%, enquanto em 2025 o índice deve ir a 4,59%, conforme dados do Boletim Focus publicados nesta semana.
Na pauta internacional, pesou sobre os índices a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, e as expectativas da implementação de medidas inflacionárias, que dificultem a queda dos juros pelo Federal Reserve (Fed).
Campos Neto deixa presidência
Esta também foi a última reunião do Copom com Campos Neto à frente do BC.
A partir de janeiro, o comando passará a Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária e o primeiro presidente do BC indicado pelo terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Também integrarão o Copom três novos diretores indicados pelo governo petista, aprovados pelo Senado nesta terça-feira (10).
Em quase seis anos à frente da autarquia, o economista viveu a transição para a autonomia, a polarização política e uma revolução tecnológica nos meios de pagamento.
Na pauta internacional, pesou sobre os índices a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e as promessas de implementação de medidas inflacionárias, que podem dificultar a queda dos juros pelo Federal Reserve (Fed).