Você já reparou que os discursos motivacionais funcionam muito bem nos momentos em que não precisamos da motivação?

Veja se não funciona assim: Imagine que você esteja em casa se sentindo triste, sem energia, sem saber direito o que fazer, e aí você resolve buscar um vídeo no youtube, alguma história que te inspire, alguém que revele um caminho possível. Então você assiste, se enche de animo e decidi que amanhã vai acordar mais cedo, vai parar de beber, vai começar a dieta, vai ser mais amável com sua família, vai fazer um plano de estudos, enfim, amanhã! E o que acontece no dia seguinte? O despertador toca, você coloca no modo soneca, e nada muda.

Quando nos encontramos em um momento difícil nosso anseio por respostas que nos mostrem uma saída nos leva a buscar algum tipo de conteúdo motivacional. Porém, motivação que geramos naquela hora muitas vezes não resiste a uma noite porque, para que a gente consiga se manter constante, precisamos convocar em nós um domínio de ação que não é só mental. Isso porque a nossa mente funciona de um jeito diferente dos nossos afetos e, por isso, na maioria das vezes, só o efeito do discurso na mente não é suficiente para que a pessoa permaneça motivada.

O fenômeno da motivação depende do domínio afetivo, ou seja, precisamos nos inclinar não para a razão da ação, que é o resultado, mas principalmente para o desejo do efeito. Por exemplo: acordar cedo vai te deixar mais produtivo. A produtividade é o resultado, a sua razão para acordar mais cedo. Contudo, ser mais produtivo vai te ajudar a ter mais tempo com a sua família, esse é o efeito do resultado, o que você realmente deseja para sua vida.

A pessoa que sabe encontrar o afeto não só no que lhe é confortável, mas também no que lhe causa desconforto, como neste caso, acordar cedo, visando o seu efeito no longo prazo e não só um resultado imediato, é a pessoa que normalmente vence a janela da hesitação.