O endividamento das famílias campo-grandenses aumentou em dezembro de 2025, segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) nesta quarta-feira (14), com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS.

Para a definição de endividamento, são consideradas contas parceladas, como em cartão de crédito, carnês e financiamentos. Esse índice não inclui inadimplência, que se caracteriza pelas contas em atraso.

Segundo o levantamento, 68,6% das famílias campo-grandenses estavam com contas parceladas, ou seja, endividadas, em dezembro de 2025. O valor fica acima dos 65,0% registrados no mesmo período de 2024, indicando mais compromissos parcelados, como cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, prestações de carro e seguros ao longo do ano. Em números absolutos, isso representa 226.248 famílias endividadas em Campo Grande.

Já em relação à inadimplência, os resultados foram mais otimistas. Entre as famílias analisadas, o percentual das que têm contas em atraso caiu, passando de 30,3% para 29,4%, de dezembro de 2024 para dezembro de 2025.

Por outro lado, houve aumento no número de famílias que afirmam não ter condições de pagar essas dívidas, que atingiu 13,7% no último dezembro, contra 12,5% no mesmo período do ano anterior.

A pesquisa também mostra que a renda familiar interfere no perfil do endividamento. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, há maior concentração de dívidas em carnês.

Essa modalidade de crédito está geralmente associada a compras parceladas no varejo, principalmente entre pessoas com menor acesso a linhas de crédito mais estruturadas.

Inclusive, nesse grupo, 21,7% das famílias endividadas possuem dívidas em carnês, percentual superior ao observado entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, onde esse tipo de dívida aparece em apenas 12,5% dos lares.

Para a economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS, Regiane Dedé de Oliveira, esse recorte ajuda a compreender os desafios específicos de cada grupo: “As famílias de menor renda tendem a utilizar instrumentos de crédito mais imediatos, como carnês, enquanto as de maior renda acessam financiamentos estruturados. Isso exige políticas e estratégias de educação financeira adaptadas a cada realidade.”

Por outro lado, quando as famílias têm renda superior a 10 salários mínimos, o endividamento está mais associado a financiamentos de maior valor.

Nesses casos, aparecem parcelamentos com veículos, por exemplo, que atingem 19,6% desse grupo, contra 9,1% entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos. Esse comportamento reflete maior acesso ao sistema financeiro formal e a crédito de longo prazo.

Conforme a pesquisa, o cartão de crédito segue sendo o principal instrumento de endividamento em todas as faixas de renda, mas com maior incidência entre as famílias de renda mais elevada (69,6% acima de 10 salários mínimos, contra 65,9% até 10 salários mínimos), reforçando seu papel central no orçamento das famílias brasileiras.