Até sábado (28), o riso ganha itinerância em Campo Grande. O projeto “Mixi pela Cidade” coloca o espetáculo “MixiCirquinho” em circulação por cinco territórios periféricos da Capital, levando palhaçaria e circo a comunidades onde o acesso à arte nem sempre é garantido.
A iniciativa é da artista Kelly Figueiredo, criadora da palhaça Mixirica. A proposta é simples e potente: descentralizar. Ir até onde a plateia nem sempre consegue chegar.
A temporada passa pelo Projeto Socioeducativo Harmonia e Frutos, no Jardim Colúmbia; pela Escola Municipal Profª Ana Lúcia Batista, no Jardim Paulo Coelho Machado; pela Escola Municipal Dionízio Antônio Vieira, na comunidade quilombola Furnas do Dionísio; pela aldeia indígena urbana Estrela da Manhã, no Jardim Noroeste; e pela CUFA, no bairro São Conrado.
As apresentações são gratuitas, com classificação livre e capacidade para até 100 crianças por sessão.
“MixiCirquinho” já percorreu cidades do interior de Mato Grosso do Sul. Agora, com o novo projeto, a ideia é ocupar praças, escolas e comunidades da Capital.
“O que me motivou foi ampliar o alcance do espetáculo e garantir que essa experiência chegasse a territórios com menos acesso a ações culturais. Ao perceber o impacto que ele gera nas crianças, surgiu o desejo de descentralizar a arte e possibilitar que mais pessoas tenham contato com o teatro e o circo, muitas vezes pela primeira vez”, afirma Kelly.
Com duração de 40 minutos, o espetáculo apresenta ao público a palhaça Mixirica e sua amiga Mixipulga, personagem que surgiu durante o período da pandemia. Entre corda bamba, números improvisados e mágicas, a montagem recria o universo do circo clássico com o que há de mais essencial: presença.
Mais do que os números circenses, a narrativa destaca amizade, empatia e respeito às diferenças.
“Elas mostram que cada uma tem seu jeito, suas habilidades e seus limites, e que é justamente essa diversidade que fortalece a parceria. Busco destacar o diálogo na resolução de conflitos e o cuidado mútuo”, explica a artista.
Entre os locais visitados está a comunidade quilombola Furnas do Dionísio. Para o educador e pesquisador Vanderlei dos Santos, ações culturais nesses territórios precisam partir da escuta.
“Essas comunidades já têm voz. Não é fazer por eles ou para eles. É fazer com eles. Primeiro é preciso escutar para aprender com os saberes que já existem ali”, afirma.
Ele também ressalta a importância do acesso à fruição artística. “No ensino de arte trabalhamos o fazer, o pesquisar e o apreciar. O apreciar costuma ser o mais reduzido nesses territórios. Quando o espetáculo vem até a comunidade, ele garante esse acesso real.”
O projeto é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio de edital da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande.







