Vírus é transmitido por morcegos e porcos. (Foto: Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA/Unsplash)

No leste da Índia, no estado de Bengala Ocidental, 5 casos confirmados do vírus Nipah entre moradores, incluindo médicos e enfermeiros, está gerando preocupação mundial. O vírus NiV (Nipah) se manifesta como uma doença neurológica, podendo evoluir rapidamente para uma encefalite aguda grave e até levar à morte.

Segundo a imprensa internacional, quase 100 pessoas foram orientadas a fazer quarentena e casos suspeitos são tratados na capital do estado, Calcutá, sendo que um paciente está em estado crítico.

O vírus pode gerar rebaixamento do nível de consciência em poucos dias, alterações do tronco encefálico, dificuldade para engolir e respirar, convulsões e movimentos involuntários.

Transmissão

Segundo a médica infectologista e patologista clínica Carolina Lázari, membro da SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial), a origem do vírus está na natureza.

“Os principais reservatórios são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, que não adoecem, mas eliminam o vírus em saliva, urina e fezes. A transmissão ao ser humano pode ocorrer de forma direta, pelo contato com esses animais ou suas excretas, ou de maneira indireta, por alimentos contaminados”, explicou a especialista à Veja.

No entanto, surtos entre criadores de porcos, na Malásia, também foram registrados, desde o surgimento da doença.

Conforme a especialista, tosse, falta de ar e insuficiência respiratória têm sido comuns em surtos registrados na Índia e em Bangladesh.

“Esses quadros estão associados à maior mortalidade e, sobretudo, a um risco ampliado de transmissão entre pessoas, já que secreções respiratórias passam a ser fonte direta de contágio”, completa a médica.

Diagnóstico

A confirmação do diagnóstico se dá por meio de exame de PCR no líquor, que pode dificultar o reconhecimento precoce.

Já em relação à prevenção, não existe imunizante disponível. Por isso, o tratamento é de suporte, muitas vezes em terapia intensiva.

Para evitar a disseminação, “é preciso reduzir o contato entre humanos e os reservatórios do vírus, proteger alimentos da contaminação por morcegos, usar equipamentos de proteção individual em casos respiratórios e, quando necessário, realizar o abate controlado de animais infectados”, completa a médica à Veja.

Especialistas também apontam que a encefalite e as convulsões ocorrem em casos graves e apresentam avanço para o coma dentro de 24 a 48 horas.

Já o período de incubação do vírus, desde a infecção e o início dos sintomas, pode levar de 4 a 14 dias. No entanto, já foi relatado período de incubação maior, de até 45 dias.

A taxa de letalidade é estimada em 40% a 75% dos casos, o que varia a depender do surto e das capacidades locais para vigilância epidemiológica e atendimento médico.

Há risco para o Brasil?

A especialista pontua que o principal gênero de morcegos associado ao Nipah, o Pteropus, não existe nas Américas. Assim, ele não é visto como um potencial causador de pandemia.

“No Brasil, a chance de surtos de grande magnitude é considerada remota, limitada a introduções pontuais e pouco prováveis”, considera.