A circulação de uma nova variante da Covid-19 no Brasil, identificada como Stratus (XFG), reacendeu o alerta das autoridades de saúde em Mato Grosso do Sul, apesar de nenhuma confirmação da cepa no Estado até o momento. A preocupação se dá pelo alto potencial de transmissão da XFG, já detectada nos estados de São Paulo e Ceará.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mato Grosso do Sul ainda não registrou casos da nova variante, mas o monitoramento permanece ativo diante da possibilidade de disseminação nacional. Em nota oficial, a pasta informou que os casos de Covid-19 neste ano já somam 2.737 confirmações e 35 mortes em território sul-mato-grossense.
Sintomas e origem da variante XFG
Estudos internacionais apontam que o principal sintoma da cepa XFG é a rouquidão persistente, causada por ressecamento e irritação da garganta. Outros sinais semelhantes aos observados no início da pandemia também estão presentes, como falta de ar, perda de olfato e paladar, além da diminuição do apetite.
A variante é fruto da recombinação de duas linhagens anteriores, LF7 e LP812, e já está na lista de variantes sob monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Até junho, foram identificadas 1.648 sequências da XFG em 38 países.
Apesar da rápida disseminação, especialistas como o infectologista da Fiocruz, Júlio Croda, esclarecem que não há evidências de que a nova cepa cause formas mais graves da doença ou aumento da mortalidade. As vacinas disponíveis continuam sendo eficazes, embora a variante apresente alguma capacidade de escape imune, o que pode facilitar reinfecções.
Três variantes seguem em circulação no Estado
Conforme o último boletim epidemiológico da SES, três variantes seguem ativas em Mato Grosso do Sul:
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Ômicron: A mais presente no Estado, com circulação em mais de 50 municípios. Preocupa pela alta capacidade de mutação e transmissão.
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Delta: Ainda em circulação com menor intensidade, apresenta maior risco de hospitalização, especialmente entre não vacinados.
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Gama (P.1): Presente em cinco municípios, tem histórico de maior impacto entre jovens e redução na eficácia de vacinas.
A identificação das variantes no Estado ocorre por meio do Lacen/MS (Laboratório Central de Saúde Pública), em conjunto com a Fiocruz/MS e o Instituto Adolfo Lutz, que realizam o mapeamento genético das amostras.
Vacinação em Mato Grosso do Sul: cobertura ainda é baixa para dose de reforço
Mesmo com a ampla oferta de vacinas, a cobertura da dose bivalente de reforço está em apenas 15,85% no Estado, segundo dados do Programa Nacional de Imunizações. Por outro lado, 84,55% da população já recebeu a vacina monovalente.
A vacinação segue como principal ferramenta de prevenção e está disponível para:
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Crianças de 6 meses a 4 anos (esquema básico);
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Idosos (reforço semestral);
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Gestantes (uma dose por gestação);
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Pessoas com comorbidades, imunossuprimidos e outros grupos de risco, como trabalhadores da saúde, indígenas, pessoas com deficiência, entre outros.
A Anvisa atualizou em junho a composição das vacinas, incluindo as variantes LP.8.1 e JN.1, ambas derivadas da Ômicron, que seguem como as cepas com maior presença nacional e internacional. A aplicação dessas vacinas já começou em alguns estados, como o Rio de Janeiro, e deve ser adotada em Mato Grosso do Sul conforme o cronograma do Ministério da Saúde.
Recomendações ao público sul-mato-grossense
A SES reforça à população a importância da manutenção das medidas preventivas, como:
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Uso de máscaras em caso de sintomas respiratórios;
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Higienização das mãos com frequência;
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Isolamento social em caso de suspeita ou confirmação de Covid-19;
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Atualização do esquema vacinal, especialmente para os grupos de risco.
Além disso, todo paciente sintomático respiratório deve ser testado com Teste Rápido Antígeno nas unidades de saúde. O tratamento com o medicamento Nirmatrelvir/Ritonavir também segue disponível para casos leves em pessoas imunossuprimidas ou com 65 anos ou mais.
“Diferente de vírus sazonais como a gripe, a Covid-19 não tem período fixo de circulação. Por isso, a vacinação é essencial para manter a proteção coletiva e reduzir riscos de internação”, reforça a SES.







