O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou à avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou forte reação no meio político e pode se transformar em uma batalha judicial de grandes proporções. Parlamentares e partidos de oposição prometem protocolar pelo menos 12 ações contra a apresentação.

Com o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile retratou a trajetória do presidente desde a saída de Pernambuco até a chegada ao Palácio do Planalto. A apresentação ocorreu no último domingo (15) e rapidamente ganhou repercussão nacional — e críticas contundentes.

Acusações e ameaças de judicialização

Segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil, as ações prometidas devem alegar:

  • Propaganda eleitoral antecipada

  • Abuso de poder político e econômico

  • Uso indevido de recursos públicos

  • Suposto preconceito religioso contra evangélicos

Parte das medidas deve ser protocolada após o eventual registro de candidatura de Lula para as eleições de 2026.

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou que houve possível violação ao Código Penal por “escarnecimento público por motivo de crença religiosa”, em razão da representação de um evangélico em uma das alas.

O partido Partido Novo anunciou que pretende pedir a inelegibilidade do presidente, alegando abuso de poder político e econômico e eventual uso de recursos públicos para promoção pessoal.

Já o Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, informou que ingressará com ação de investigação eleitoral para apurar possível propaganda antecipada, abuso de meios de comunicação e eventual financiamento irregular da escola de samba por empresários com contratos com o governo federal.

O senador Flávio Bolsonaro classificou o episódio como “crimes do PT na Sapucaí com dinheiro público”. Já o deputado Zucco afirmou que analisará medidas junto à Justiça Eleitoral e órgãos de controle.

Também prometeram judicializar o caso o senador Rogério Marinho, o deputado Nikolas Ferreira e o senador Magno Malta.

Carnaval ou campanha antecipada?

Para a oposição, o desfile ultrapassou os limites da manifestação cultural e assumiu contornos eleitorais. Já aliados do governo defendem que o Carnaval é espaço legítimo de expressão artística e política.

O embate promete ir além da avenida e pode antecipar o clima de tensão que deve marcar a disputa presidencial de 2026.

Se confirmadas, as ações poderão transformar o espetáculo carnavalesco em um dos primeiros grandes embates jurídicos do próximo ciclo eleitoral.