Há uma semana, um grupo de profissionais de diferentes partes do Brasil segue cruzando o Pantanal com um propósito que vai além da medicina: cuidar de quem cuida do bioma. A Expedição Alma Pantaneira 2025 já percorre as regiões dos Paiaguás e da Nhecolândia, no coração do Pantanal, levando atendimento médico, odontológico e veterinário a comunidades que passam o ano inteiro sem acesso regular à saúde.

A iniciativa é organizada pela ONG MDO (Médicos do Pantanal) e alcança sua 14ª edição, mobilizando cerca de 50 voluntários, entre médicos, dentistas, veterinários e acadêmicos. Nesta edição, a equipe deve realizar aproximadamente 7 mil procedimentos, como consultas, exames e atendimentos a animais domésticos, parte essencial da vida dos pantaneiros.

“Participar do projeto Médicos do Pantanal tem sido uma das experiências mais marcantes da minha trajetória. Ver o brilho nos olhos de quem volta a sorrir não tem preço”, conta a dentista Andréa Palaoro Valensia, de São Paulo, que participa acompanhada do marido.

Para muitos moradores das regiões mais remotas do Pantanal, essa é a única oportunidade de ver um médico ou dentista durante o ano. Pequenas dores e infecções, que poderiam se agravar, são tratadas ali mesmo, em consultórios itinerantes montados em escolas, fazendas ou galpões comunitários.

“É comum encontrar pessoas que nunca foram atendidas por um dentista. O trabalho é enorme e gratificante”, relata Elisclay Silva, cirurgiã-dentista de Rio Verde de Mato Grosso, que participa pela sétima vez da missão.

O Instituto Alma Pantaneira lembra que o Pantanal é responsável por grande parte da produção de bezerros do Estado, e que garantir saúde a essas famílias é também cuidar da base da pecuária sul-mato-grossense.

A jornada segue até Corumbá (MS), com o apoio da Marinha do Brasil, que fornece caminhões 4×4 e um grupo de Fuzileiros Navais do 6º Distrito Naval. Empresas e voluntários também colaboram com doações de combustível, alimentação e equipamentos médicos.

Para o acadêmico de Medicina Renan Felipe Sampaio Moreira, de Dourados, que participa pela primeira vez, o sentimento é de realização.

A expedição une solidariedade e ciência. Enquanto os voluntários seguem em campo, o Pantanal retribui em forma de histórias, sorrisos e gratidão.