Mato Grosso do Sul registrou, nesta quarta-feira (21), um marco inédito na medicina estadual com a realização da primeira cirurgia utilizando polilaminina. O procedimento ocorreu no Hospital Militar de Campo Grande e, no dia seguinte (22), a equipe médica divulgou imagens de parte da intervenção.

A cirurgia teve duração aproximada de 40 minutos e foi realizada em um paciente de 19 anos, militar, que ficou tetraplégico após um disparo acidental de arma de fogo ocorrido há dois anos. A expectativa é de que, com o tratamento, haja possibilidade de recuperação de movimentos.

De acordo com a explicação apresentada na legenda do vídeo divulgado pela equipe, a técnica busca “criar um ambiente biológico mais propício para que o sistema nervoso volte a se comunicar e inicie um novo processo de evolução neurológica”. O tratamento atua diretamente no local da lesão, estimulando a reconexão entre neurônios e favorecendo a retomada de funções motoras.

Procedimento cirúrgico

A cirurgia teve início por volta das 9h30 e contou com o acompanhamento do tenente Wolnei Marques Zeviani, neurocirurgião do hospital. O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do Hospital Souza Aguiar, em conjunto com o médico e pesquisador Olavo Franco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A pesquisa com polilaminina é desenvolvida na UFRJ há mais de duas décadas, em parceria com o Laboratório Cristália, e já apresenta resultados promissores na recuperação de pacientes com lesões neurológicas semelhantes. A substância é derivada da laminina, uma proteína extraída da placenta.

O estudo recebeu aprovação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro, consolidando o avanço como um passo relevante para a medicina regenerativa no país.