Corredor rodoviário ainda em implantação deve ligar Mato Grosso do Sul às praias do Chile, com flamingos, montanhas coloridas e deserto pelo caminho

Imagine sair de Mato Grosso do Sul, flutuar em rios de águas transparentes, ver tuiuiús no Pantanal, cruzar o Chaco paraguaio, subir os Andes e terminar a viagem com os pés nas areias do Pacífico. Esse é o roteiro que a Rota Bioceânica pode oferecer a quem gosta de pegar a estrada.

Criado para encurtar o caminho das exportações brasileiras até os portos chilenos, o corredor também está sendo pensado para os viajantes. O Ministério do Turismo coordena a Mesa de Turismo do Fórum dos Governos Nacionais do Corredor Bioceânico, que reúne Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para desenvolver o potencial turístico da ligação.

“Vamos transformar o que nasceu como um corredor logístico em um grande itinerário rodoviário internacional, com muita cultura, ecoturismo e gastronomia”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Primeira parada: Bonito e Pantanal

A aventura começa em casa. Na Serra da Bodoquena, Bonito tem mais de 40 atrativos, entre grutas, cachoeiras, trilhas e rios cristalinos, e oferece flutuação, mergulho e passeios de bote. Em 2025, o município recebeu 293.712 turistas.

No Pantanal, quem manda é o ritmo das cheias e secas, que muda a paisagem ao longo do ano. Dá para fazer safári fotográfico, passear de barco, cavalgar e se hospedar em fazendas pantaneiras, com a chance de ver tuiuiús, jacarés, capivaras e, em algumas regiões, onças-pintadas. A Estrada-Parque, a Serra do Amolar e as regiões de Corumbá, Miranda e Aquidauana também entram no mapa de quem busca natureza, pesca esportiva e cultura.

Flamingos e história no Chaco

No Paraguai, o cenário muda completamente. O Chaco ocupa cerca de 60% do território do país, com planícies, florestas secas, savanas e lagoas salgadas. Uma das surpresas fica no Chaco Central, onde flamingos e outras aves aquáticas podem ser vistos nessas lagoas.

Para quem gosta de história, as fortificações de Boquerón, Isla Po’i e Toledo guardam a memória da Guerra do Chaco, travada contra a Bolívia nos anos 1930. Já a região de Filadélfia soma ao roteiro a cultura e a gastronomia de comunidades indígenas e colônias menonitas.

Montanhas coloridas na Argentina

O Noroeste argentino é a parada para encher a galeria do celular. Em Salta e Jujuy estão a Quebrada de Humahuaca, Patrimônio Mundial da Unesco, o Cerro das Sete Cores, em Purmamarca, e as Salinas Grandes.

A viagem também passa pelo paladar e pela música, com culinária regional, artesanato, peñas folclóricas e celebrações tradicionais, como as homenagens à Pachamama, a Mãe Terra na cultura andina.

Deserto e mar no Chile

O grand finale reúne deserto, salares e montanhas que encontram o Pacífico. Iquique é um dos destaques, com a praia de Cavancha, esportes aquáticos e atrações ligadas ao ciclo do salitre. Perto dali, as antigas instalações de Humberstone e Santa Laura são Patrimônio Mundial da Unesco.

Com um pouco mais de disposição, outros circuitos do Norte chileno levam a San Pedro de Atacama, famosa pelo Vale da Lua, pelos Gêiseres de El Tatio e pela observação astronômica.

Quando dá para colocar o pé na estrada?

Por enquanto, o roteiro completo ainda depende das obras. No Paraguai, o trecho de 277 quilômetros entre Carmelo Peralta e Loma Plata já está concluído. Ainda fazem parte da pavimentação os 102 quilômetros entre Cruce Centinela e Mariscal Estigarribia e os 224 quilômetros entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina.

Enquanto a estrada avança, o desafio do Ministério do Turismo é transformar essa diversidade em pacotes e experiências que possam ser vendidos, com infraestrutura, serviços e integração entre os países. A pasta aposta em turismo rural, pesca esportiva sustentável, experiências comunitárias e roteiros culturais, de aventura e de fronteira. A expectativa é que a novidade também movimente hotéis, restaurantes, agências, guias e pequenos negócios em municípios que hoje estão fora dos principais circuitos internacionais.